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CAMPANHA DO SETEMBRO AMARELO 2022

Publicado em 12/09/2022 às 18:59 - Atualizado em 12/09/2022 às 18:59

O QUE POSSO FAZER PARA AJUDAR QUEM PENSA EM SUICÍDIO?

 

Pode ser que, em algum momento de nossas vidas, desconfiemos de que alguém próximo está pensando em suicidar-se em decorrência de um grande sofrimento. Diante dessa situação, o sentimento de impotência pode se fazer presente, fazendo-nos acreditar que não há como intervir, uma vez que a pessoa parece já ter decidido encerrar a própria vida. Entretanto, ao contrário do que o senso comum tende a reproduzir, existem diversas maneiras de auxiliar essa pessoa.

 

Se há uma desconfiança, é importante que se converse diretamente com a pessoa que está sofrendo. Um diálogo aberto, respeitoso, empático e compreensivo pode fazer a diferença. Procurar saber como a pessoa está, o que tem feito ultimamente, como está se sentindo. O foco da conversa deve ser o outro, portanto, não é recomendável: falar muito sobre si mesmo, oferecer soluções simples para os problemas que a pessoa relatar e desmerecer o que ela sente.

 

Essa conversa pode obter melhores resultados se for feita em um lugar tranquilo, sem pressa, respeitando o tempo da pessoa para se abrir. Caso a pessoa se sinta à vontade para compartilhar o seu sofrimento, não é indicado: rechaçar (“Credo, isso é pecado!”), esboçar expressões de choque (“Não acredito que você tá pensando nisso!”) e reprimir, caso o choro venha (“Pra que chorar? Você sempre teve tudo do bom e do melhor!”).

 

A escuta ativa deve sempre estar presente nesses diálogos. Uma escuta ativa consiste em realmente ouvir e compreender o que o outro diz, não apenas esperar uma pausa para poder respondê-lo. Isso não significa, no entanto, deixar a pessoa falando sozinha. Algumas pontuações que podem ser feitas consistem em: fazer perguntas abertas; fazer um breve resumo do que a pessoa falou, de tempos em tempos, para que ela saiba que você está atento ao que ela diz; retornar a algum ponto que não tenha ficado claro e tentar, ao máximo, escutá-la sem julgamentos.

 

Oferecer suporte emocional e informar sobre a ajuda profissional, bem como se mostrar à disposição, caso ela queira conversar novamente, são pontos importantes. Se a pessoa falar claramente sobre os seus planos de se matar e parece estar decidida quanto a isso, é primordial que ela não seja deixada sozinha. Podem ser contatados os serviços de saúde mental e familiares/amigos da pessoa. Pode ser necessário que ela fique em um ambiente seguro, sendo auxiliada por um profissional.

 

Se você perceber que a pessoa não se sente à vontade para se abrir, deixe claro que você estará disponível para conversar em outras oportunidades. Você também pode indicar os serviços oferecidos pelo CVV, disponível em www.cvv.org.br, que trabalha para promover o bem estar das pessoas e prevenir o suicídio, em total sigilo, 24h por dia. Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), onde você encontra profissionais capacitados, para estarem fazendo a escuta especializada, como também a Unidade Básica de Saúde (UBS) e profissionais da saúde como Psicólogos, do seu município.

 

UM SETEMBRO MAIS AMARELO

 

Um setembro mais amarelo
Apenas hoje, até o final do dia, 32 brasileiros vão morrer por suicídio. A questão é de saúde pública, nove em cada dez destas mortes poderiam ser evitadas, pois a pessoa passava por um transtorno mental naquele momento e não recebeu ajuda a tempo. Falar, quebrar tabus, superar estigmas e senso comum, alertar a população e conscientizar são tarefas cotidianas, mas, neste mês, ganham sentido especial: é o Setembro Amarelo, movimento para prevenção do suicídio.


O dia 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, visa sensibilizar e conscientizar a população sobre os altos índices de suicídio no mundo e que essas mortes podem ser prevenidas. Segundo a entidade, há 25 vezes mais tentativas. São 830 brasileiros que buscam a morte todos os dias, o que dá uma média de uma pessoa a cada dois minutos.


Devemos quebrar o tabu de que falar sobre suicídio na mídia agrava o problema ou mesmo estimula. “Falar salva, mas é preciso falar seriamente. A boa mídia informa sobre a complexidade do fenômeno. Todo suicídio é, em geral, uma história de muito sofrimento”. Então tem o q ter em mente é que, “o limite é sempre esse. Falar com respeito, evitar expor as pessoas, a família”.


E consenso que falar é a melhor solução. Muitas mortes poderiam ser evitadas se a informação de que se pode pedir ajuda e dividir o que se sente com alguém fossem disseminadas. É isto que a campanha Setembro Amarelo quer.

 

A IMPORTÂNCIA DA FALA

 

Ao falar sobre suicídio, é muito importante a reflexão acerca das nossas ações cotidianas que poderiam, de alguma forma, intensificar a dor de alguém que já se encontra em sofrimento. Não são raras as situações em que existem pessoas fragilizadas ao nosso redor sem que tomemos conhecimento. Um caminho é sempre se perguntar: o que estou prestes a fazer (ou a dizer) poderia fazer mal a alguém próximo? Será que eu poderia afetar negativamente alguém, mesmo sem perceber?


O que falamos pode ter um peso muito grande sobre aqueles que sofrem em silêncio ao nosso lado, ainda que não seja evidente para nós. Quando assuntos como depressão, suicídio, transtornos psicológicos, entre outros, estão em pauta em uma roda de conversa, é importante prestar atenção ao que dizemos e à maneira com a qual nos expressamos. Um discurso que demonstre culpabilização e julgamento de quem tem depressão, por exemplo, pode ser assimilado por quem está fragilizado como uma reafirmação da sua incapacidade de melhora nesse quadro. Um discurso compreensivo e sem julgamentos, por outro lado, poderia oferecer apoio às pessoas que sofrem em silêncio e gerar uma sensação de acolhimento, o que facilitaria o processo de falar sobre o assunto e pedir ajuda.


Portanto, algumas falas cotidianas poderiam ser evitadas com o intuito de não prejudicar as pessoas que sofrem ao nosso redor, como exemplo: discursos que culpabilizam os indivíduos que tem depressão, discursos que incentivam o suicídio como uma forma de resolução de problemas, falas que debocham e fazem chacota do sofrimento alheio, falas que atribuem uma causa simples e única para o quadro depressivo de alguém, discursos que atribuem a ideação suicida à “falta do que fazer”, falas que oferecem uma alternativa simples para problemas complexos (como, por exemplo, “é só ter força de vontade que a depressão passa”), entre outros.


A prática de ações e discursos empáticos, que se atentam aos sentimentos alheios, podem representar um diferencial muito grande para quem precisa de apoio e não consegue pedir ajuda. O estabelecimento de relações saudáveis através de um posicionamento compreensivo e empático, entendendo que o discurso e as pequenas ações têm poder, pode ajudar a salvar vidas.

 

Equipe CAPS I Palmitos e Caibi.

Andreia Dietrich (Psicóloga/Coordenadora)

Bárbara de Oliveira (Psicóloga)